Costuma-se dizer que no carnaval, ninguém leva a mal. Mas há certas coisas que eu levo a mal, mesmo no Carnaval.
Em primeiro lugar, levo muito a mal o tom da campanha eleitoral que há pouco começou. Os políticos tratam-nos como se fossemos perfeitos indigentes, a prometer o irrealizável e a afirmar serem a favor daquilo que eram contra há dois meses atrás.
Em segundo lugar, levo muito a mal - mesmo - que o Engº Guterres tenha aparecido no comício de abertura do PS em Castelo Branco: o homem que meteu o rabo entre as pernas há três anos atrás, por não saber tirar o país do buraco onde o enfiou devia manter-se calado, em nome da decência.
Em terceiro lugar, e acima de tudo, levo muito a mal a forma como os media se comportam. Assisti em directo aos dois comícios de Castelo Branco, através da SIC Notícias, e a atitude dos jornalistas foi impressionante pela sua parcialidade: o ajuntamento do PS foi transmitido como um verdadeiro directo, sem interrupções e sem comentários idiotas, sendo possível ouvir aquilo que Guterres e Sócrates tinham a dizer na íntegra (não é que o conteúdo dos discursos interessasse sequer à vaquita do presépio, mas isso é outra história); por outro lado, a congregação do PSD foi transmitida como se não existisse ou, pior, como se se estivesse a passar algo completamente diferente da realidade. Começou pelo número de adeptos, com os profissionais da informação a afirmar que o pavilhão tinha apenas meia-dúzia de gatos pingados; assim que se tornou impossível disfarçar que o sítio estava cheinho que nem um ovo, toca de cortar a palavra ao Morais Sarmento e dar a palavra ao comentador de serviço em estúdio; quando o senhor começou a repetir as mesmas banalidades pela terceira vez, lá voltaram ao polidesportivo ou lá que era, onde já discursava Eurico de Melo, com o seu quase incompreensível sotaque de homem do Norte. Como seria de esperar, ouviram-se mais os comentários da jornalista-no-local do que o homem em questão. Assim que entrou o cacique da Madeira, lá deixaram ouvir o homem, provavelmente à espera dos seus disparates habituais. Como não os houve, toca de cortar o discurso para explicar à populaça as palavras de ordem da JSD. E assim sucessivamente, com Santana também, principalmente perto do fim, afirmando de novo a senhora jornalista que havia pessoas a retirarem-se, provavelmente (apesar de não o poder confirmar) porque as camionetas se queriam ir embora, insinuando assim que os presentes tinham vindo todos de Beja, não havendo um único albicastrense presente no pavilhão.
Eu, na minha ingenuidade asinina, pensava que os jornalistas deviam ser isentos. Imparciais. Justos. Que dêem a sua opinião depois de apresentarem os factos tal como eles são, tudo bem. O jornalismo de opinião também é útil. Mas primeiro há que apresentar os factos, pura e simplesmente, de forma a cumprirem a sua primeira função de jornalistas: informar. É para isso que servem os meios de comunicação, para informar, e não para formar opiniões, nem para formar (ou moldar) as opiniões da sua audiência.
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