February 10, 2005

títulos

Embirro com títulos. Todos. Isto a propósito da nossa campanha eleitoral: o Engenheiro isto, o Doutor aquilo... santa paciência. Parece que passamos todos o tempo com a espinha vergada perante um iluminado qualquer.

Embirro ainda mais quando me tratam por "Dr.". Normalmente a minha resposta varia entre o simples "Dr. é a tia" e o mais elaborado "se me chama outra vez Dr. começo já a praticar castração encartada".
Se alguém se me quer dirigir respeitosamente, não bastará o normal "Sr. Serpa"? Se trata comigo há algum tempo basta, creio, "João". E se estamos familiarizados chega perfeitamente "ó meu, traz aí o copo d'água faxavor". Não é simples?

Porque carga d'água é que um simples bacharel ou licenciado tem direito ao "Dótor"? Não seria só para os doutorados, esses pobres desgraçados que mourejam para acabar a tese, para no fim descobrirem que vão continuar a ganhar os míseros 1 000,00€ por mês apesar do esforço?

Prefiro indubitavelmente o costume anglo-saxónico, em que Doctor é o médico ou o doutorado, e o resto é tudo Mister na melhor das hipóteses. Mas nós, pobres saloios meridionais, para definirmos uma qualquer pirâmide social (orfã desde 1910), inventamos títulos por tudo e por nada, verdadeiros e falsos, para satisfazermos a nossa necessidade mesquinha de ficarmos todos "arrumadinhos" e etiquetados socialmente, onde cada um presumivelmente tem um lugar predefinido.

É melhor não falar do "Dom" agora. Ainda começo a espumar.

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