February 14, 2005

fátima

Morreu a irmã Lúcia.

Desculpem o meu coraçãozinho empedernido mas isso não me diz nada. Morreram mais de duzentas mil pessoas em Dezembro passado: impressiona-me um bocadinho mais. É sempre desagradável quando morre uma pessoa, seja ela quem fôr, e é deste ponto de vista que encaro a morte da carmelita.

Como tenho a (des)vantagem de ser ateu, o facto da senhora ter visto a Virgem na Cova da Iria apenas me diz uma coisa: ou em criança abusava das sopas de cavalo cansado, ou a miopia era extremamente precoce.
Ainda por cima embirro particularmente com Fátima. Não com os crentes, que o são sinceramente, mas com todo o carnaval montado à volta de uma estória com 90 anos extremamente duvidosa. Tal como embirro com Lourdes ou Compostela: embirro com a exploração desonesta da fé das pessoas que a Santa Madre Igreja insiste em fazer; embirro com o comércio paralelo de santinhas, círios e ex-votos; e com a exploração que se fazia com as relíquias sagradas - pela quantidade de pedaços da Vera Cruz que proliferam por aí depreende-se que Cristo foi pregado a uma floresta inteira, e não a uma simples cruz.

Mas, acima e tudo, embirro com os políticos hipócritas que se aproveitam de um momento triste para milhões de cristãos para se darem ares sensíveis e pesarosos, tentando "humanizar" a sua imagem desgastada. Parece que se esqueceram que desde o 5 de Outubro que a Nação Portuguesa é laica e que todas as religiões deveriam ter o mesmo peso perante o estado.

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