Vai ser publicado o novo Código da Estrada. É mais uma daquelas medidas engraçadas, que ficam bem mas não resolvem nada.
O Novo Código da Estrada limita-se a ser mais punitivo, nada mais. Ora aquilo de que nós precisamos não são de multas mais altas, ou de regras mais severas. O Código vigente já é suficientemente rigoroso e "castigador", mas infelizmente não é posto em prática, tal como o novo não vai ser. Para ser eficaz, qualquer Código - seja de Estradas, Civil ou outro - precisa essencialmente de ser suportado por uma vigilância efectiva. Como os meios da GNR-BT e da PSP não vão ser melhorados ou aumentados, este vai ser mais um Código para inglês ver.
A segurança nas estradas não se promove avisando os condutores que podem ficar sem carta por excesso de velocidade ou outra coisa qualquer, porque estes sabem que as probabilidades de serem apanhados são as mesmas que um lémingue tem de sobreviver à queda da falésia. Nulas.
Aquilo de que necessitamos, se queremos parar com a mortandade nas estradas é mais ou menos óbvio, mas difícil de concretizar:
- dar meios à polícia para pôr em prática o que o Código indica (radares, viaturas e educação q.b.);
- sinalizar as vias de forma eficaz, não permitindo furtos dos sinais, obstrução por árvores, marmotas e construção ilegal, e acima de tudo, colocar os sinais nos sítios certos, de forma correcta;
- construir vias como deve ser, e pavimentando-as de forma normal, sem recorrer à prática muito portuguesa do "remendo";
- adequar o Código às necessidades do condutor, criando, por exemplo, limites de velocidade realistas (o limite de 120 km/h nas auto-estradas é cretino para dizer o mínimo);
- promover entre os condutores a aquisição de veículos modernos, mais seguros, diminuindo a carga fiscal pornográfica sobre os veículos e combustíveis.
Convém acrescentar que a atitude dos agentes de seguraça é fundamental para se educar o condutor. Devem saber onde "fechar os olhos" e onde ser intransigentes; dou um exemplo: há três anos estive em Inglaterra, tendo aterrado todo pimpão em Heathrow, e aluguei um pópó. Guiar ao contrário é estranho, mas os hábitos de condução são, para um mero tuga como eu, do outro planeta. Em Londres e nas outras povoações o limite de 35 milhas/hora é tão religiosamente respeitado que dá vontade de ver se os polícias andam de batina; estacionar fora do sítio garante, com toda a certeza, o acrescento na roda do carro duma excrescência amarela, vulgo bloqueador (eles praticamente nem usam sinais de proibição de estacionar - traço amarelo na berma pode-se parar por uns minutos, traço vermelho e é melhor pensar em ir parar no inferno); manobra perigosa deve ser penalizado com sodomização pública porque não vi nem uma; depois de tudo isto, o limite de 75 milhas nas auto-estradas é encarado pelos fleumáticos britânicos como pura ficção científica, porque andam todos no máximo que o carro dá - a não ser que apareça um sinal limitador provisório, por obras ou nevoeiro ou coisa que o valha; aí volta tudo a ser respeitador.
Claro que, vendo a atitude dos outros condutores, o tuga, por simpatia tornou-se um verdadeiro gentleman da estrada (quase).
Se insistirmos em criar leis vazias de practicabilidade, e não fizermos aquilo que é verdadeiramente necessário, os portugueses vão continuar a matar-se barbaramente nas estradas nacionais.
No comments:
Post a Comment