Temos de decidir, de uma vez por todas, que tipo de país queremos ter. Se queremos uma democracia ocidental, liberal e capitalista, óptimo. Se queremos um regime "socialista", proteccionista e fechado, óptimo também. Não é possível é ter um bocadinho de ambos os regimes.
Tendo em conta que estamos inseridos num espaço político ocidental e liberal, a UE, as nossas opções ficam mais limitadas. Foi uma escolha que fizemos há 20 anos atrás, conscientemente, e agora temos de a seguir. Dentro deste tipo de regime não há espaço, por muito que custe a Manuel Alegre, para intervencionismo directo do Estado no tecido empresarial. O Estado é (ou deveria de ser) apenas um regulador da Economia, gerando regras equitativas que permitam um mínimo de justiça social e de livre concorrência, e desenvolver a Educação e a Justiça, principalmente, que criem as condições necessárias ao desenvolvimento global do país.
Assim, esta estúpida questão da participação da Iberdrola no capital da EDP não faz o menor sentido. Como não faz sentido que o Estado tenha participação, ou Golden Shares, nas empresas nacionais. Este tipo de proteccionismo do Estado não serve para absolutamente nada, senão para criar postos de trabalho para políticos na reforma. Viram-se bem as capacidades de gestão empresarial do Estado entre 1975 e 85. Paupérrimas.
As economias em crescimento na Europa, como a Espanha ou a Irlanda, por exemplo, não se caracterizam por terem no seu território sedes de grandes corporações. Crescem apenas porque os seus governos criaram as condições económicas, judiciais e de formação da mão-de-obra necessárias à atracção de capital estrangeiro e permitindo simultaneamente que as empresas nacionais crescessem o suficiente para terem a massa crítica necessária não só para serem "engolidas", mas também para se expandirem noutros mercado.
Se o Estado quer que as empresas nacionais continuem "em mãos portuguesas" tem realmente de intervir onde já o deveria ter feito há três décadas atrás: reduzir o seu peso na economia, acabar com o seu despesismo inconsciente, emagrecer radicalmente a administração pública, organizar, agilizar e tornar a Justiça eficaz, efectivar a colecta de impostos, diminuir a carga fiscal para níveis realistas e investir forte e seriamente na Educação e na Formação Profissional.
A receita é simples. Nunca mais encontramos é um cozinheiro eficaz.
1 comment:
Viva,
Concordo em absoluto com o teu texto. Não retirava nem acrescentava nada.
Sobre o mesmo tema, com uma visão ligeiramente diferente escrevi este texto que deve ser descontada a devida ironia:
http://filhodo25deabril.blogspot.com/2006/01/697-os-centros-de-deciso.html
Abraço,
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