
O Governo teve uma daquelas ideias que não cabem na cabeça de ninguém. Segundo a sua proposta, será obrigatório que todos os lugares eleitos por lista - parlamento, autarquias, etc. - tenham pelo menos 1/3 (um terço, 33,3333333...%) de mulheres. Por lei. Obrigatoriamente. Trás!
Gira esta.
Obviamente que deveríamos de ter mais mulheres a participar na governação do país. Quanto mais não seja porque os homens geraram a cagada em que nos encontramos. Logicamente, havendo mais mulheres que homens na sociedade em geral, estas deveriam ter uma representação superior à dos homens. Tendo em conta que as mulheres hoje em dia representam a maioria dos estudantes universitários, deveriam ascender mais facilmente ao poder. Mas...
Mas a realidade é que a nossa sociedade ainda é tendencialmente machista. A maioria dos homens ainda acha - ainda que secretamente - que o lugar da fêmea é na cozinha, com os filhos. Soluções por decreto como estas só servem para mascarar a realidade. É uma solução fácil, que não muda nada mas fica bem no papel. Difícil, mas eficaz, é pôr em prática as soluções que resolveriam o problema na sua raiz: criar infantários acessíveis a todas as famílias, criar um sistema escolar que não abandone as crianças durante meio dia, obrigar as empresas à equidade salarial entre sexos, etc.
Medidas como esta, por decreto, não só não resolvem nada como abrem caminho a outros disparates do género: se 5% da população portuguesa é negra, 5% dos deputados devem ser negros; se 15% da população é homossexual, 15% do Governo deve vestir cor-de-rosa; se 8% da população é muçulmana, 8% dos presidentes de câmara devem pôr-se de cu pró ar cinco vezes ao dia, se 80% da população não gosta de trabalhar, 80% dos governantes deve... ah não! esta paridade já existe.
A paridade social só surgirá, de facto, quando a sociedade portuguesa evoluir no seu todo, à custa de um melhoramento social e educacional, não como resultado de decretos avulsos.
2 comments:
Devias ter mais visitantes. De vez em quando dizes coisas com graça e com sentido também!
Obrigado, Sílvia. São poucos mas bons...?
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