... disse o senhor... primeiro-ministro. "Se não o fizerdes, sentireis a minha ira, através de impostos ainda mais altos".
E o senhor, olhando com tristeza para o buraco financeiro onde a segurança social está enfiada, chorou. Depois, cansado que está dos primeiros sete dias de governo, a que o seu povo chama a criação, atirou aos fiéis a solução mais fácil. Taxem-se os inférteis.
Por muito que o governo queira, não é sobretaxando aqueles que não têm filhos, ou só um, que resolve qualquer problema de pouca natalidade nacional. Também não o consegue se recompensar aqueles que têm gene de coelhinho e crias à patada, seja através de subsídios - o abono de família ou outro - seja através de cheques-compra nas lojas Chicco.
Não sei se o PM já reparou, mas o problema não é apenas nacional: grassa através de todo o "primeiro mundo". As taxas de natalidade da Alemanha são tão baixas que os alemães já recebem um fundo especial do World Wildlife Fund; em França fornicam que nem taradinhos mas, como povo avançado que são, já descobriram "la pilule"; os belgas já quase nem existem, mas ninguém vai dar por isso de qualquer modo, portanto tanto faz.
O problema não tem origens económicas mas sim sociais. Tem a ver com o papel da mulher em casa e no local de trabalho. Tem a ver com os vários métodos contraceptivos. Tem a ver com novos modelos de família que se estão a formar na sociedade ocidental. Tem a ver com os valores sociais que nos regem. Tem a ver com a evolução social, com as alterações que sofreu no século XIX durante a revolução industrial e que se desenvolveram após ambas as guerras mundias. E por aí fora. É uma questão sociológica, relacionada com tudo isto e com os níveis de conforto e independência que aprendemos a ter direito.
Evidentemente que para os portugueses, para além de tudo isto, temos que adicionar a crónica falta de dinheiro, o sobreendividamento familiar, o mau sistema de ensino que obriga uma família a gastar rios de dinheiro seja em escolas particulares, infantários ou em livros que só dão para um dos rebentos "que para o ano já ensinam uma coisa diferente lá na escola", etc.
Por muito que o PM queira, nada disto se resolve por decreto, ou pela emissão de impostos ou subsídios especiais. Há soluções, mas todas elas são muito demoradas e, para nós, onerosas. Implica mexer nas regras do mercado de trabalho, nas leis de licença de parto, nos incentivos ao teletrabalho e assim sucessivamente.
Se querem pôr os portugueses - de preferência as portuguesas - a parir tem de se modificar a forma de pensar a organização da sociedade. Taxar é, como sempre, estúpido; estúpido.
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