May 23, 2006

geografia

No meu tempo era chato à brava estudar Geografia. Na primária, além das regiões de Portugal Continental, como o Minho e Trás-os-Montes, tinham de se aprender as linhas férreas de Angola, os rios de Moçambique e as ilhas de Cabo Verde. O facto de Portugal ser um império era uma seca. Depois, a meio da primária, deu-se o 25 de Abril e Portugal encolheu. Foi lavado a uma temperatura demasiado elevada.
Como para os professores, alegremente em auto-gestão, a matéria também soava a salazarenta, deixaram-se as linhas férreas e outros meios de transporte como os fluviais e a matéria simplificou-se muito.

Mas se nessa altura a disciplina era difícil de empinar, agora a coisa complica-se sobremaneira. Hoje qualquer aluno entra na sala de aula desprevenido e, pimba!, leva com um novo país no crânio: "Meninos, esqueçam a aula de ontem e escrevam nos vossos caderninhos pautados que nasceu um novo país - o Montenegro: os seus habitantes, os mon-te-ne-gri-nos...". Já não bastava o Alto Volta, o Congo, a Birmânia e mais meia-dúzia deles terem mudado de nome, como ainda por cima surgem Bielorússias (fronteira com a Valvolinalândia), Estónias e Checas assim sem mais nem menos. Imaginem o desânimo do pobre rapaz que faltou, com gripe, a uma semana de aulas e se vê defrontado com todo um novo mundo político e geográfico.
Isto para não falar dessa pobre classe trabalhadora, os comentadores políticos, que se vêem a braços com dezenas de novos primeiro-ministros, presidentes, ministros, sobas e toda a sua História para analisar, decorar e, no fim, dizerem o seu chorrilho de banalidades sobre um sítio que não lhes interessa a mínima.

Devia-se criar uma regra qualquer, que estabelecesse períodos específicos para declarações de independência, talvez sob a égide da ONU, para facilitar a vida a todos os estudantes, jornalistas e ao Nuno Rogeiro.

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