
Não, não é um post sobre os nossos políticos. Poderia ser, mas não é.
Gosto de burros. Gosto de andar de burro. Gosto da teimosia. Gosto do zurrar: ao contrário do relinchar do cavalo, que soa sempre um bocado histérico e gay, o zurrar é som de animal, profundo e agressivo.
Gosto do olhar do burro, meigo e inteligente: o olhar do cavalo demonstra, pelo contrário, um grau de inteligência de um galinácio e é sempre um pouco tresloucado, como se o raio do bicho se fosse passar a qualquer momento.
O cavalo é alto, esguio, pernas compridas, veloz e, como é lógico, o ser humano elegeu-o a animal nobre enquanto que o burro é atarracado, zurra, resistente como uma mula e teimoso como um burro e, azar dos diabos, passou a besta de carga.
Andar em cima de um cavalo enobrece-nos. Ficamos altivos e distintos. Num burro arrastamos com os pés no chão e ficamos, no mínimo, um bocado ridículos. Campónios. É a diferença entre Quixote e Pança: um vai de cavalo e o outro de burro.
Gosto de andar de cavalo, apesar do desconforto. Tenho prazer em controlar o animal, gosto da passada larga e veloz, do som dos cascos na terra e do resfolegar do bicho. Gosto do movimento controlado e às vezes do descontrolado. Mas gosto mais de burros.
1 comment:
Também adoro burricos. São lindos e são tudo o que disseste. Eu não arrasto os pés quando monto um burro pelas razões que já conheces. Gostava de ter um burrico como animal de estimação, se tivesse uma herdade no alentejo ou umas territas em trás-os-montes. Uma quinta no Douro ou no Minho também não ia nada mal. Até podia ter dois burricos e fazer criação, ou não....
A raça portuguesa está em extinção sabias, mas andam a tratar de os aproveitar para terapias com crianças e assim... muito bom.
Gosto de burros, mesmo. Só não gosto do nome que lhes deram, mas pronto, é estratégia pra enganar.
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