
Desde 15 de Novembro que não se pode entrar num Centro Comercial. Mesmo que se queira entrar e sair rapidamente "porque preciso mesmo daquele livro do Não-Sei-Quantos", fica-se preso numa enxurrada de gente a comprar as prendas de Natal. Em Novembro! O consumismo é uma coisa linda, principalmente para mim que vivo dele. Mas há limites.
Há duas semanas que amigos e conhecidos me perguntam, com expressões alucinadas, "o que é que vais dar aos teus filhos? Já sabes?! É que eu não faço a mínima ideia!!! Já têm TUDO!!!!". Quando digo que ainda não pensei minimamente no assunto invariavelmente respondem-me naquele tom de voz suave e apaziguador normalmente reservado aos terminalmente insanos.
Sinceramente não faço a mínima ideia daquilo que vou oferecer aos meus filhos e restante parentela. Nem me interessa pensar nisso agora, porque não é importante. Apesar do Natal ter para mim o mesmo significado que tem a festa anual dos pescadores de Remolares, habituei-me a vê-lo como uma reunião familiar, onde se come em conjunto, se conversa em conjunto e, invariavelmente, se discute em conjunto. E por acaso lá para a meia-noite trocam-se umas prendas. Mas o que é importante é a primeira parte: ver parentes que só se vêm uma vez por ano, relembrar que a tia Clara é uma cabra, manter o Jorge longe da garrafa de vinho porque o tapete da sala não aguenta outra limpeza a seco e assim sucessivamente. As prendas são um pormenor: são a cereja mas aquilo que importa é o bolo.
Para os miúdos, o importante é ter o pai o dia inteiro em casa e poderem saltar-lhe em cima, jogar à bola com ele, etc. Gostam da prenda, claro. Mas o resto é que interessa.
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