October 05, 2007

vive la république


A 5 de Outubro de 1910 contraímos a república. Assim. Como um vírus. Meia-dúzia de senhores acharam que podiam contaminar a população inteira e assim foi.
Note-se que não sou monárquico. Nem republicano. Ambos os sistemas têm virtudes e defeitos e não me apetece debatê-los aqui. Aquilo que acho surpreendente é o tal facto de meia-dúzia de iluminados terem feito uma escolha por milhões, sem os consultar e, mais surpreendente ainda, é o facto de esses milhões aceitarem o facto como consumado, como a boa carneirada que são. Há época esta aceitação parece-me natural, dado o nível de iliteracia e de subdesenvolvimento social do país. Mas, hoje em dia, parece-me grave. Não que eu ache que os portugueses devessem ir agora reclamar por aquilo que se passou há 97 anos, mas porque continuam a ter a mesma atitude ruminante em relação a tudo o que se passa social e politicamente cá na santa terrinha. É essa atitude que leva a que, sempre que há um referendo, ninguém levante o cu do sofá para opinar. Ou que se aceite como fatalidade tudo o que um governo, câmara ou governo regional nos quiser impingir.

Pode ser só uma impressão, mas parece-me que estamos tão desenvolvidos como estávamos em 1910.

3 comments:

Cláudio said...

Achar que estamos hoje como em 1910 é... nem sei o que é. Não ser nem monárquico, nem republicano é ser... nem sei que será. Talvez um produto dessa iletracia de que fala. Não deve também saber quem foram Buíça e Costa. Mas a espingardaria está ainda, e estará sempre, aberta. Para o caso de se decidir.

Joao Serpa said...

Cláudio, quando disse que estamos hoje como em 1910, referia-me à intervenção - e indiferença - que os portugueses têm relativamente à sociedade em que vivem. Interessa-nos muito mais o futebol do que os problemas reais do país... por exemplo.

Não ser nem republicano nem monárquico... bom: a monarquia não tem muito apelo, apesar de todo a História que representa, por factores demasiado longos de explicar aqui. Quanto à república, pura e simplesmente não me revejo nesta forma de sistema semi-presidencial.

Quanto ao Buíça, foi pura e simplesmente um assassino. Nem mais, nem menos. O Costa, espero que se refira ao presidente da república e não ao da câmara.

Joao Serpa said...
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