December 26, 2007

ai jesus


O Cardeal Patriarca de Lisboa disse na sua missa de Natal, entre outras coisas, que a verdadeira desgraça humana são o ateísmo e outras formas de descrença.

Ena.

Não é por ser ateu, e pouco desgraçado, que esta afirmação me causa arrepios, mas porque entre as tantas desgraças que assolam a sociedade humana - epidemias, guerras, fome, etc. - a descrença numa qualquer doutrina me parece coisa pouca. Quer queiramos quer não, a existência de qualquer deus nunca foi provada: não há o menor indício palpável de uma qualquer entidade divina no Universo. É portanto natural nos dias de hoje, ligeiramente mais iluminados que a Idade Média, que se duvide ou questione a Verdade Universal da Santa Madre Igreja.
Por outro lado, existem dezenas ou centenas de religiões para lá da religião judaico-cristã-muçulmana. Porque estarão estas certas e os hindus errados? Ou os xintoístas?
Por outro lado ainda, afirmar que não seguir os preceitos de determinada religião torna a sociedade mais fria, desumana e "selvagem" não tem significado, dado que ao longo da História algumas das maiores atrocidades foram cometidas em nome de deus e da religião. A Igreja Católica neste aspecto tem as mãos tanto ou mais sujas que qualquer outra, portanto não pode nem deve falar sobre este assunto.

O santo padre vai-me perdoar - ao que é obrigado pela sua crença - mas enquanto não me provarem empiricamente da existência de deus, vou continuar ateu... e desgraçado. E vou continuar a considerar todas as religiões como um produto social humano que serve determinados propósitos psicológicos e nada mais.

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