October 21, 2004
velharias
A Lomo Kompakt Automat e o movimento dela resultante, a lomografia, é um fenómeno estranhíssimo. Pelo menos para mim, que sou um bruto sem discernimento.
A Lomo é uma máquina, a acreditar no que diz quem a comercializa, desenvolvida em São Petersburgo (Leningrado para os amigos), pequena e robusta, com uma lente fantástica criada pelo Prof. Radionov (seja lá ele quem fôr - pelo nome é parente da Marie Curie), capaz de fotografias fantásticas. Em filme de 35mm. Para revelar em papel. A cores ou a preto e branco.
Associado à maquineta gerou-se um movimento, a lomografia, que supostamente tem como regras fotografar tudo, sem olhar ou pensar (o que normalmente faz qualquer amador de fotografia), e mais tarde partilhar os resultados com os outros lomógrafos (ou lomonautas).
O surgimento do "movimento" não é surpreendente. A sua razão de existência é, provavelmente, a mesma dos blogs: a necessidade de comunicar e de partilhar informação, seja ela qual fôr. O que é surpreendente, para mim, é o meio: uma maquineta antiquada e limitada em termos fotográficos, que obriga a conhecimentos mínimos de fotografia para sair alguma coisa de jeito.
Numa época em que as máquinas digitais estão banalizadas (até os telemóveis tiram já fotografias decentes), com facilidades óbvias para a transferência de imagens entre a máquina, o pc e a web, não faz sentido a existência do Lomosaurus. O formato digital faz o mesmo, melhor e de forma mais fácil e económica.
A única razão que encontro é alguma necessidade de pertencer à tribo. Não fazer parte da carneirada que tira fotos digitais (e assim, pertencer à carneirada que não quer fazer parte da carneirada que tira fotos digitais, como diria a Mafalda). E que, também, com a técnica de marketing correcta consegue-se vender tudo. Até frigoríficos aos esquimós.
Para ser justo, tenho de dizer o seguinte: a coisita é muito resistente (comprovado pelos testes internacionais do meu filho, que tira fotografias com a máquina e, a maior parte das vezes, a deixa cair ao chão) e tira fotografias decentes, permitindo efeitos engraçados causados pelos defeitos da própria lente.
Confesso: Aderi. Não sei porque carga d'água.
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