February 23, 2005

leituras



Tenho um mau hábito desde pequenino: gosto de ler. Tudo. Desde os Tio Patinhas do meu filho à versão actualizada das Páginas Amarelas (Região Oeste). E um dos autores que mais gosto de ler quando não me apetece cansar o neurónio é o sr. Terry Pratchett e os seus Discworld Novels. São daqueles livros que não se podem ler em transportes públicos a não ser que se queira passar a usar um casaquito branco com as mangas atadas atrás das costas. Digamos que são divertidos, ironizando e retorcendo quase tudo, desde os monstros sagrados da literatura britânica, até à nossa (deles) sociedade em geral.
Não é um tipo de livro que tenha muitos adeptos em Portugal, terra de costumes sérios e sombrios, onde livro que não tenha dois poemas e um suicídio por amor não é livro que se veja.
Toda a acção se passa num mundo fantástico, onde a Terra é plana, um disco mais precisamente, suportada por quatro elefantes que estão por sua vez em pé de uma tartaruga gigante - por acaso os hindus acreditavam nisto. Este mundo - o Discworld - só é posssível porque a magia o mantém em existência. E aqui acaba a parte da magia, porque bruxas e mágicos recusam-se a praticá-la, os vampiros pertencem à Liga da Temperança e o lobisomem mais notório é sargento de polícia. A questão filosófica mais importante em todo o Disco é, pura e simplesmente, qual o sexo da tartaruga cósmica.
O que é realmente interessante e divertido é a preversão dos costumes humanos mais simples, desde as largadas de touros de Pamplona ao Hamlet de Shakespeare.

Não é por acaso que Pratchett é dos autores mais lidos em Inglaterra, sendo comparado a P. G. Wodehouse. Infelizmente, só pode ser lido no original, dados os trocadilhos e voltas do texto. Vi na FNAC uma tradução em português de dois dos livros, mas ao fim da terceira página desisti.

2 comments:

Karla said...

YES! Há mais gente a gostar de Terry Pratchett neste país :D

Adoro o senhor (o Discworld, mais precisamente, já tentei outros mas não me interessam tanto). É um génio. Quanto às traduções, enfim, sou tradutora e parece-me virtualmente impossível traduzir um texto que vive tanto dos trocadilhos e do imaginário anglo-saxónico.

Joao Serpa said...

Só a série Discworld é para "crescidos" (há excepção de The Wee Free Men e A Hat Full Of Sky). Os outras livros são, creio, para adolescentes.