March 21, 2005

uma década

Há dez anos atrás, às quatro da manhã, andava a correr com a minha mulher para trás e para diante, eu num pânico indescritível, ela redonda de grávida e calmíssima, porque iríamos ter o nosso primeiro filho. Só para chatear só nasceu quase doze horas depois.
Tinha então trinta anos e sentia-me tal e qual como tendo cinco anos logo a seguir a ter partido a jarra preferida da minha mãe - borradinho de medo. Medo do parto, que não corresse tudo bem. Medo da responsabilidade de ser pai. Medo que o puto saísse parecido comigo. Hoje, continuo com medo da responsabilidade, se bem que me habituei ao sentimento permanente, e ganhei novos medos, mais prosaicos mas muito maiores: qual vai ser o seu futuro, em que raio de país vai viver, que tipo de profissão vai escolher (se escolher advocacia cometo uma loucura) e, principalmente, se o estou a educar de forma correcta - se lhe estou a dar as ferramentas certas para se tornar um ser humano decente.
Sinto que estou a tentar o meu melhor e tenho medo que isso não chegue.

Parabéns, Gui!